Frevo fora de época: como o carnaval pernambucano virou atração o ano inteiro
Ensaios abertos e pequenos blocos mantêm a tradição viva nos meses de baixa temporada.
Em julho, longe do carnaval, o som de uma sanfona de oito baixos ainda ecoa no Bairro do Recife num domingo de manhã. É o ensaio aberto de um maracatu nação, gratuito, para quem quiser ver.
Tarsila Bittencourt acompanhou quatro ensaios em junho. O padrão se repete: plateia de turistas e moradores, contribuição voluntária no chapéu, zero ingresso pago.
O movimento cresceu depois da pandemia, quando grupos pequenos passaram a ensaiar em praças para fugir do custo de salão. Virou atração por acaso — e hoje movimenta bares das redondezas.
Não há estatística oficial, mas a Secretaria de Cultura estima em mais de 120 ensaios abertos por mês na Região Metropolitana entre maio e novembro.
Mestre Salustiano Soares, 58, do maracatu baque-virado Pernambuco, diz que o ensaio na rua devolveu o público que o salão afastava. “A tradição respira quando sai do recinto”, resume.
O risco é a superlotação em poucos pontos. A prefeitura estuda um calendário descentralizado para espalhar os ensaios por bairros periféricos a partir de agosto.